Para monitorar queimadas na fazenda, acompanhe os focos de calor detectados por satélite em volta do imóvel. Os dados são gratuitos no BDQueimadas, do INPE, e no FIRMS, da NASA. O que muda de um método para outro é quem confere o mapa e com que frequência.
De onde vêm os dados de queimadas?
Vêm de satélites com sensores térmicos, que registram pontos de calor anormal na superfície. No Brasil, as duas fontes públicas mais usadas são o Programa Queimadas, do INPE, e o sistema FIRMS, da NASA.
Segundo o INPE, o Programa Queimadas processa mais de 200 imagens por dia. Elas vêm de satélites de órbita polar, que passam sobre a mesma região pelo menos duas vezes ao dia, e de satélites geoestacionários, que geram imagens várias vezes por hora. O banco de dados do INPE, chamado BDQueimadas, é atualizado a cada 10 minutos, depois de um controle de qualidade automático.
O FIRMS (Fire Information for Resource Management System) reúne os focos dos sensores MODIS e VIIRS. A NASA informa que os dados globais ficam disponíveis em até 3 horas após a passagem do satélite.
Cada ponto no mapa é um foco de calor. Para entender o que ele significa e quais são os limites do dado, veja o guia Focos de calor: o que são e como ler os dados do satélite.
Como acompanhar os focos de graça?
Abra o mapa do BDQueimadas ou o Fire Map do FIRMS, vá até a região da fazenda e confira os focos das últimas horas. Os dois sites são públicos e não cobram pelo uso.
- Anote a localização do imóvel. Tenha à mão a coordenada da sede e, se possível, o perímetro da fazenda (o arquivo do CAR ou do georreferenciamento ajuda).
- Abra o mapa. No BDQueimadas, filtre por estado, município e período. No Fire Map do FIRMS, aproxime o mapa da região.
- Confira os focos recentes. Veja data, hora e satélite de cada ponto. Focos novos perto da divisa pedem atenção.
- Repita com frequência. Na época seca, o ideal é olhar várias vezes ao dia, inclusive no fim de semana.
O FIRMS também oferece alertas por e-mail para uma área de interesse, mediante cadastro no site da NASA. O limite do método manual é a rotina: alguém precisa lembrar de abrir o mapa, e o fogo não espera o horário comercial.
Qual é a diferença entre olhar o mapa e receber alerta?
No mapa, você vai atrás da informação. No alerta, um sistema confere os focos sozinho e avisa quando algum aparece perto do imóvel. A fonte de dados pode ser a mesma.
| Método | Vantagem | Limite |
|---|---|---|
| Mapa do BDQueimadas (INPE) | Gratuito, com filtros por estado e município | Depende de alguém abrir e conferir |
| Fire Map do FIRMS (NASA) | Gratuito, cobre o mundo todo | Interface em inglês; também exige conferência |
| Alerta automático | Avisa sem ninguém precisar olhar o mapa | Pode ter custo; continua dependendo do satélite |
Nenhum dos métodos enxerga tudo. O satélite só detecta o fogo quando passa sobre a área, e nuvens ou fogo rasteiro sob mata fechada podem esconder o foco. Por isso, o monitoramento por satélite complementa a vigilância no campo, sem substituí-la.
O que fazer quando aparece um foco perto da fazenda?
Confirme no local ou com alguém próximo, avise quem pode agir e acione o Corpo de Bombeiros (193) se houver incêndio. Um foco no mapa indica calor detectado; nem sempre é incêndio.
- Veja a distância e o horário. Um foco a poucos quilômetros da divisa, com vento na direção da fazenda, é prioridade.
- Confirme. Ligue para o gerente, o vizinho ou quem estiver mais perto. O foco pode ser queima autorizada, incêndio ou outra fonte de calor.
- Acione quem combate. O INPE orienta comunicar incêndios ao Corpo de Bombeiros, à secretaria estadual de meio ambiente, ao IBAMA, à prefeitura ou ao órgão florestal do estado.
- Registre. Guarde prints do mapa com data e hora, fotos e o nome de quem foi avisado. Esse registro ajuda a mostrar de onde o fogo veio.
Como se preparar antes da época seca?
Prevenção pesa tanto quanto monitoramento. A Lei nº 14.944/2024, da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, diz que o responsável pelo imóvel rural deve implementar ações de prevenção e combate aos incêndios na propriedade.
- Aceiros. Faixas sem vegetação nas divisas e em volta de benfeitorias ajudam a segurar o avanço do fogo. A lei cita os aceiros entre os preparativos para a queima controlada, com largura adequada ao terreno, ao clima e ao tipo de vegetação.
- Equipe e equipamento. Pessoas treinadas, abafadores, bombas costais e acesso livre para caminhão-pipa.
- Lista de contatos. Bombeiros, brigadas da região, vizinhos e quem mora na fazenda, num lugar que todos conheçam.
- Combinado com os vizinhos. Fogo não respeita cerca. Avisar e ser avisado faz diferença.
Usar fogo na vegetação depende de autorização do órgão ambiental na maioria dos casos. A Lei nº 14.944/2024 lista as hipóteses permitidas e proíbe o fogo como método de supressão de vegetação nativa, ressalvada a queima controlada dos resíduos. Antes de qualquer queima, consulte o órgão ambiental do seu estado.
Por que guardar o histórico de fogo do imóvel?
Porque o histórico mostra quando e onde houve focos em volta da fazenda. Isso ajuda a planejar a prevenção e a conversar com banco, seguradora ou órgão ambiental.
Pela Lei nº 14.944/2024, o uso irregular do fogo pode gerar responsabilização administrativa, civil e criminal. A mesma lei diz que a responsabilidade civil por danos de incêndio depende de comprovação técnica do nexo causal, isto é, da ligação entre a ação ou omissão da pessoa e o dano. Registros com data, hora e localização dos focos ajudam a reconstruir o que aconteceu. Para quem pensa em comprar uma área, o histórico de fogo da região também entra na avaliação; veja o checklist para comprar fazenda.
E na Savana?
A Savana tem um monitoramento de fogo que confere os focos da NASA FIRMS a cada 15 minutos e avisa quando um foco entra no raio escolhido em volta do imóvel.
O raio pode ser de 1, 2, 5 ou 10 km. O alerta chega por WhatsApp e e-mail, com mapa e vento, e por notificação no aplicativo, para quantas pessoas você cadastrar. Cada imóvel guarda o histórico de focos. É um adicional de R$ 49,90 por imóvel por mês para quem tem o acesso à plataforma. Detalhes em monitoramento de queimadas.
Perguntas frequentes
O monitoramento por satélite detecta todo incêndio?
Não. Segundo o INPE, o satélite pode deixar de ver fogo rasteiro sob mata fechada, fogo com frente menor que cerca de 30 metros, queimadas rápidas que acontecem entre duas passagens do satélite e áreas cobertas por nuvens. Por isso ele complementa a vigilância no campo.
Os mapas do INPE e da NASA são pagos?
Não. O BDQueimadas, do INPE, e o Fire Map do FIRMS, da NASA, são públicos e gratuitos. O FIRMS também permite cadastrar uma área para receber alertas por e-mail.
Quanto tempo o foco leva para aparecer no mapa?
Depende do satélite e da fonte. A NASA informa que os dados globais do FIRMS ficam disponíveis em até 3 horas após a observação. O INPE informa que o BDQueimadas é atualizado a cada 10 minutos, depois do controle de qualidade.
Um foco no mapa significa queimada ilegal?
Não. O INPE explica que o satélite detecta o fogo sem distinguir se é queima controlada ou incêndio. Só a verificação no local e a consulta às autorizações do órgão ambiental dizem se o uso do fogo era permitido.
Para quem devo ligar se o fogo chegar perto?
Para o Corpo de Bombeiros, pelo 193. O INPE também orienta comunicar a secretaria estadual de meio ambiente, o IBAMA, a prefeitura ou o órgão florestal do estado.