Foco de calor é o ponto onde um satélite detectou temperatura anormalmente alta na superfície, em geral por fogo na vegetação. Cada foco representa um pixel da imagem, uma área que pode ter de algumas centenas de metros a mais de um quilômetro de lado, e não o tamanho do fogo.
O que é um foco de calor?
É a detecção, por sensores em satélites, de um local com queima de vegetação. O INPE trata como sinônimos os termos foco de queima, de calor, de queimada e de incêndio.
O satélite mede a energia térmica que sai da superfície. Quando um pixel da imagem fica muito mais quente que o entorno, o sistema marca aquele pixel como foco. No satélite de referência do INPE, cada pixel tem 1 km por 1 km. O foco aparece no mapa como um ponto, mas o que ele indica é que existe fogo em algum lugar dentro daquela área.
Todo foco de calor é incêndio?
Não. O satélite detecta o fogo, mas não diz se é incêndio, queima controlada autorizada ou queima de resíduos. Só a verificação no local responde isso.
O INPE explica que o sistema não distingue queima controlada de incêndio descontrolado. Por isso, um foco sozinho não prova queimada ilegal. Ele é um sinal para ir conferir. Para saber como agir quando um foco aparece perto da fazenda, veja o guia Como monitorar queimadas na fazenda.
Um foco é igual a um incêndio?
Não. Segundo o INPE, a relação entre foco e queimada não é direta: um pixel pode ter várias frentes de fogo, e um incêndio grande pode aparecer como vários focos.
Isso tem duas consequências práticas. Contar focos não é o mesmo que contar incêndios. E o número de focos também não diz a área queimada. Para área queimada, o INPE tem um produto separado, feito com imagens de maior resolução.
Qual é o tamanho mínimo de fogo que o satélite vê?
O INPE informa que uma frente de fogo com cerca de 30 metros de extensão por 1 metro de largura, ou maior, é detectada. O sensor VIIRS consegue ver fogos ainda menores à noite.
Como o pixel é grande, um fogo de poucas dezenas de metros quadrados aparece como um ponto que representa uma área de 1 km² ou mais. Nos satélites geoestacionários, com pixel de 2 km por 2 km, o mesmo fogo representa pelo menos 4 km². Por isso, olhar só o ponto no mapa pode dar a falsa impressão de que o fogo é maior do que é.
Por que alguns incêndios não aparecem?
Porque o satélite tem limites. Nuvens, fogo rasteiro sob mata fechada, fogo pequeno ou rápido e encostas fora do ângulo de visão podem esconder o foco.
O INPE lista estes casos em que o fogo pode não ser detectado:
- fogo só no chão de uma floresta densa, sem atingir a copa das árvores;
- nuvens cobrindo a região;
- queimada de pouca duração, que começa e termina entre duas passagens do satélite;
- frentes de fogo com menos de 30 metros;
- fogo na encosta de uma montanha, no lado que o satélite não enxerga.
Ou seja: ausência de foco no mapa não garante ausência de fogo.
Qual é a precisão da localização?
Segundo validações citadas pelo INPE, o erro médio de localização é de cerca de 400 metros, e cerca de 80% dos focos ficam dentro de um raio de 1 km do fogo real.
Na prática, um foco marcado a 300 metros da divisa pode estar dentro da fazenda ou no vizinho. Antes de tirar conclusões sobre de onde veio o fogo, confira no campo e compare com imagens de satélite de maior resolução dos dias seguintes, que mostram a cicatriz da área queimada.
Quais satélites geram os focos?
Satélites de órbita polar, como os que levam os sensores MODIS e VIIRS, e satélites geoestacionários, como o GOES. Cada um tem resolução e horário de passagem diferentes.
| Sensor ou satélite | Pixel | Característica |
|---|---|---|
| MODIS (satélites Aqua e Terra) | 1 km | O Aqua, na passagem do início da tarde, é o satélite de referência do INPE desde 2002 |
| VIIRS (satélites Suomi NPP e NOAA-20, entre outros) | 375 m | Maior detalhe; detecta fogos pequenos à noite |
| Geoestacionários (como o GOES) | 2 km ou mais | Várias imagens por hora sobre a mesma região |
Segundo o INPE, os satélites polares geram pelo menos dois conjuntos de imagens por dia, e os geoestacionários, seis imagens por hora. O INPE processa mais de 200 imagens por dia.
O que é o satélite de referência?
É um único satélite usado pelo INPE para comparar o número de focos entre anos e regiões. Desde julho de 2002, a referência é o Aqua, com o sensor MODIS, na passagem do início da tarde.
Como cada satélite passa em horário diferente e tem sensor diferente, somar focos de todos eles distorce as comparações. Um mesmo fogo pode ser detectado por vários satélites. Por isso, quando uma notícia diz que os focos subiram ou caíram em relação ao ano anterior, o número costuma vir do satélite de referência. Se você somar os focos de todos os satélites, o total será bem maior, e não é comparável.
Como ler o mapa de focos?
Confira quatro coisas em cada foco: data e hora, satélite, localização e, no FIRMS, o nível de confiança. Depois compare com os focos dos dias anteriores.
- Data e hora. No BDQueimadas, as datas do filtro estão em UTC, que fica 3 horas à frente do horário de Brasília.
- Satélite. Para comparar períodos, use sempre o mesmo satélite. Para vigiar a fazenda, vale olhar todos.
- Localização. Lembre do erro de centenas de metros e do tamanho do pixel.
- Confiança. Os dados do FIRMS trazem um campo de confiança; no VIIRS, a classificação é baixa, nominal ou alta. Focos de baixa confiança pedem mais cuidado antes de qualquer conclusão.
- Repetição. Focos em sequência no mesmo lugar, em passagens diferentes, indicam fogo ativo por mais tempo.
No BDQueimadas é possível filtrar por país, estado, município, bioma, satélite e período, e exportar os dados em CSV, GeoJSON, KML ou shapefile, informando um e-mail.
E na Savana?
O monitoramento de fogo da Savana usa os focos da NASA FIRMS, conferidos a cada 15 minutos, e avisa quando um foco entra no raio escolhido em volta do imóvel.
O raio pode ser de 1, 2, 5 ou 10 km, e o alerta chega por WhatsApp, e-mail e aplicativo, com histórico por imóvel. Os limites do satélite descritos neste guia valem também para o alerta. Veja como funciona em monitoramento de queimadas.
Perguntas frequentes
Foco de calor e queimada são a mesma coisa?
Não exatamente. O foco é o registro do satélite de um pixel com fogo. A queimada é o evento no chão. Um incêndio pode gerar vários focos, e um foco pode conter várias frentes de fogo.
Por que o número de focos do INPE é diferente de outros sites?
Porque cada fonte pode usar satélites diferentes. O INPE usa o satélite de referência, o Aqua com sensor MODIS, para as comparações entre anos. Somar focos de vários satélites gera números maiores, que não devem ser comparados com a série de referência.
O foco mostra a área queimada?
Não. O foco indica fogo dentro de um pixel, mas não mede a área queimada. O INPE tem um produto específico de área queimada, feito com imagens de maior resolução, que na época da consulta cobria apenas o Cerrado.
Se não aparece foco, não houve fogo?
Não necessariamente. Nuvens, fogo rasteiro sob mata fechada, fogo pequeno e queimadas rápidas entre passagens do satélite podem não ser detectados, segundo o INPE.
O foco de calor serve como prova de quem causou o fogo?
Sozinho, não. O foco mostra onde e quando houve calor, com erro de localização de centenas de metros. Ele ajuda a reconstruir o que aconteceu, junto com verificação no campo, imagens de maior resolução e outros registros.